quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Barrados na Internet

Um dos meios de aproximar a sociedade das tecnologias de informação e comunicação é o Programa de Inclusão Sócio-Digital, da Secretária de Ciência Tecnologia e Informação (Secti). Criado em 2004, o programa que já foi chamado de Programa Identidade Digital (PID), ganhou esse nome no atual governo. Dentro deste programa existem os Centros Digitais de Cidadania – centros de acessos à informática e Internet -, que tem como principal função democratizar o acesso da população aos recursos da informática e da Internet.

Atualmente os Centros Digitais de Cidadania – na sua grande maioria – servem apenas como centros bem equipados de digitação. Segundo Joaquim Gallo, Coordenador do Programa de Inclusão Sócio-Digital, a manutenção e instalação desses centros são de responsabilidade de quem solicita o serviço. ”O papel da Secti é disponibilizar os aparelhos e verificar as condições do local onde será instalado o centro”, informa Gallo, acrescentando que a parte de atendimento aos gestores desses centros é feita pela secretária. “Nós possuímos um centro de atendimento, no qual eles podem entrar em contato conosco e a gente resolve qualquer problema daqui”.

Para Gallo, uma solução para que os Centros não sirvam apenas como centros de digitação, é a utilização dos equipamentos também no período da noite para oferecer cursos de informática para a comunidade a preços acessíveis, e com esse dinheiro ajudar nas despesas.

A Internet é a grande vilã no bolso dos gestores dos centros. Como a responsabilidade da Secti com os centros é, apenas a manutenção, os gestores têm que contratar o serviço de banda larga das operadoras da telefonia celular. A Oi (antiga Telemar), por exemplo, oferece o pacote WEB Rural por R$680 por mês. “Não podemos sair instalando Internet para todos os centros, se não a empresa não teria condições de pagar estes custos”, avalia o gerente de relacionamento pessoal Jack Goodwin Jr.

A Oi é uma das parceiras do projeto, mas informa que esta parceria só irá render “bons frutos” no futuro, com a implantação de outro programa, chamado de PCT (Programa de Serviços de Telecomunicações). Esse programa funcionaria como uma espécie de telefone público, no qual a pessoa compraria o crédito e usaria o tempo determinado de cada crédito. Mas a aquisição deste projeto depende da solicitação de cada Prefeitura, sendo que a de Salvador ainda não demonstrou interesse pelo serviço. A previsão para que todas as prefeituras sejam contempladas é até o ano de 2010, uma data longínqua, considerando que, hoje, a Bahia é o 20º Estado no ranking da inclusão digital no Brasil. Mas, segundo o secretário da SECTI, Ildes Ferreira, esse quadro será revertido em breve.

A distância entre o ideal e a realidade é tão grande que alguns usuários do Conselho de Moradores de Jaguaripe II, na Estrada Velha do Aeroporto não sabem o que é internet. Para Luana Almeida, 8 anos, o sonho de conhecer a internet se realizou numa Lan House, pois se dependesse do centro não seria realizado tão cedo."Outro dia paguei R$ 1 para fazer uma conta no MSN, pois minhas colegas de escolas todas tem e eu tava me sentindo fora do grupo por não ter", desabafa.

Segundo a gestora do COMORJA II, Ana Lúcia Costa, já foi solicitado o acesso à rede, mas os técnicos da Oi informaram que não têm condições de instalar o serviço na comunidade “Eles cobraram um valor alto e ainda disseram que depende de disponibilidade técnica”, disse.

Enquanto, o impasse permanece, os usuários, não só dos Centros Digitais de Cidadania esperam para que o projeto saia do papel e ações que foram discutidas na 6° Oficina para Inclusão Digital, realizada no Instituto Anisio Teixeira - IAT, em Salvador, surtam efeitos positivos.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

O que são blogs?

Na noite de ontem foi inaugurado um projeto entre as Faculdades Jorge Amado e o Grupo A Tarde, e sua primeira atividade pública foi o seminário “O Consumo da Informação e as Novas Tecnologias”, realizado no Auditório Zélia Gatai, no campus Paralela da instituição.

O seminário foi mediado pelo professor de comunicação e pesquisador, Messias Bandeira e estiveram presentes grandes nomes da comunicação no Brasil, como o professor Antônio Cabral, que leciona propriedade intelectual na
Fundação Getúlio Vargas (RJ), Marcos Palacios, doutor em sociologia e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e Alex Primo, doutor em informática da educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, além do presidente da associação mantenedora das Faculdades Jorge Amado, Eugênio Barreto, e o diretor executivo de A TARDE, Sylvio Simões.

O público não compareceu em massa, com era esperado pelo Grupo A Tarde, mas quem esteve presente pode participar de um seminário muito interessante que discutiu as novas tendências da mídia. Entre essas mudanças tão aceleradas da comunicação, falou-se muito em blogs. O gaúcho
Alex Primo, começou sua fala com uma pergunta que gerou muita inquietação aos presentes: “Afinal, o que são blogs?”

Um blog pode ser entendido de várias formas, menos como a de um diário pessoal, já que o mesmo é uma coisa particular e não pública. Alex Primo durante os seus 30 min de apresentação, citou uma situação muito interessante – O Estadão fazendo campanha contra os blogs. Para o jornal, esses “diários” não tm credibilidade nenhuma, mas será que isso é verdade? Antonio Cabral citou dois exemplos que dismitica essa idéia: o blog norte-americano Boing Boing, no qual milhares de jornais buscam informação nele e a mais famosa enciclopédia digital, a
Wikipédia, que contém mais verbetes do que a enciclopédia britânica (a segunda mais lida). Ambos são feitos por pessoas que acessam a rede e compartilham os conhecimentos. Então, devemos ou não confiar nos blogs?

Jornalistas conceituados, a exemplo de
Jozias de Souza, colunista da Folha e de Soninha, também colunista do diário, utilizam desta ferramenta para expor suas idéias, discutir sobre temas atuais e, até mesmo, publicar matérias que não entraram no seu respectivo diário. Empresas de nome também utilizam esta ferramenta para publicar noticias relacionadas a área de trabalho da mesma.

Portanto, será que devemos confiar nas informações encontradas na grande rede mundial? Temos sempre que verificar a procedência da informação, pois tem muita gente utilizando de má fé para desinformar os internautas, mas existem muitas exceções, aqueles que querem compartilhar seus conhecimentos e fazer das relações interpessoais uma tendência que pode modificar nossa sociedade.

A pergunta, por enquanto, não pode ser respondida, pois um blog pode ter uma infinidade de definições. O próximo seminário está previsto para o inicio do ano que vem, até lá vamos “bisbilhotar” vários blogs e ver se chegamos a uma resposta, pelo menos, simétrica.
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